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Já ouviste falar da Missão SMILE?

Já ouviste falar da Missão SMILE?

Se achas que os escudos de energia invisíveis só existem no Star Wars ou nos filmes da Marvel, temos novidades espaciais fresquinhas para ti. No passado dia 20 de junho, o satélite SMILE chegou à sua órbita científica definitiva — e o seu objetivo é precisamente estudar o escudo magnético gigante que protege toda a vida no nosso planeta.

O SMILE — que significa Solar wind Magnetosphere Ionosphere Link Explorer — é o resultado de uma cooperação inédita entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Academia Chinesa de Ciências: a primeira vez na história em que estas duas potências espaciais conceberam, construíram, lançaram e operam juntas uma missão científica.

Para lá chegar, o satélite viveu uma verdadeira maratona de precisão no espaço. Lançado a 19 de maio a bordo do foguetão europeu Vega-C, o SMILE disparou o seu motor principal 12 vezes ao longo de um mês: 11 disparos para elevar progressivamente a altitude máxima da órbita, e um disparo final para ajustar a altitude mínima. Um erro de cálculo em qualquer dessas manobras e a missão estaria perdida para sempre.

O resultado é uma órbita com uma forma de oval gigante — altamente elíptica, como os engenheiros gostam de dizer. Lá no topo, o satélite sobe até impressionantes 120 920 km de altitude sobre o Polo Norte, de onde consegue fotografar toda a nossa “bolha magnética”, a magnetosfera. Depois, a gravidade puxa-o e ele mergulha até 5 027 km de altitude acima do Polo Sul, onde descarrega todos os dados recolhidos para as antenas dos cientistas aqui na Terra.

Mas para quê toda esta engenharia? Tudo serve para decifrar o comportamento do Sol — que não nos envia apenas luz e calor. O Sol bombardeia-nos constantemente com o vento solar, uma corrente implacável de partículas carregadas que, se chegassem à superfície, tornariam a vida impossível no nosso planeta. Felizmente, a magnetosfera desvia a maior parte desse ataque. E o nome da missão não é apenas marketing: quando as câmaras de raios X do satélite fotografam o impacto do vento solar contra o nosso escudo magnético, o formato desse embate desenha literalmente um sorriso gigante no espaço, com os dois “olhos” localizados nos Polos Norte e Sul.

Além de fotografar este escudo em tempo real, o SMILE vai monitorizar as famosas Auroras Boreais — aquele espetáculo de luzes verdes e roxas no céu que acontece quando algumas partículas solares escapam pelas linhas magnéticas e colidem com os gases da nossa atmosfera. Graças aos dados desta missão, os cientistas vão conseguir prever muito melhor as grandes tempestades solares, que têm o poder de interferir com a internet, com os sistemas de GPS e com as redes elétricas da Terra. A recolha oficial de dados científicos está prevista para setembro de 2026 — a equipa passa os próximos dois meses a ligar e a calibrar todos os instrumentos a bordo.

Sabias que a Terra tinha um escudo invisível em forma de “sorriso” a proteger-nos a todos os segundos lá no espaço? Se fosses engenheiro na ESA, que outro nome porreiro darias a uma missão destas?

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