Quando o dia se faz noite…
Já imaginaste estar na rua, em pleno dia, e ver o céu escurecer como se fosse noite? Parece impossível, mas é exatamente isso que vai acontecer no dia 12 de agosto de 2026. Nesse dia vamos assistir a um eclipse solar, um dos espetáculos mais impressionantes que a natureza nos pode oferecer.
Em Portugal, apenas uma pequena faixa do nordeste do país, perto de Bragança, no Parque Natural de Montesinho, ficará dentro da zona de eclipse total. Ali, a Lua vai tapar completamente o Sol durante cerca de 26 segundos, um acontecimento tão raro que só deverá repetir-se em Portugal daqui a mais de 100 anos.
No resto do país o eclipse será parcial. A Lua tapará uma grande parte do Sol, mas não o esconderá por completo. Como o fenómeno acontece já ao final da tarde, vais notar que o céu escurece muito mais do que seria normal para essa hora.
A Lua passa exatamente entre a Terra e o Sol e impede que a sua luz chegue até nós. É como colocares um dedo muito perto dos olhos e tentares tapar a luz de uma lanterna: apesar de o dedo ser muito mais pequeno, consegue escondê-la quase por completo.
Com a Lua acontece algo semelhante. Embora seja muito menor do que o Sol, está muito mais perto da Terra. É por isso que, vistos daqui, os dois parecem ter quase o mesmo tamanho e um eclipse total se torna possível.
No norte da Europa contava-se que dois lobos gigantes, Sköll e Hati, perseguiam o Sol e a Lua pelo céu. Quando os alcançavam, acontecia um eclipse. Para os afugentar e fazer regressar a luz, as pessoas batiam em panelas, tocavam cornos e faziam o maior barulho possível.
Na China antiga, a história era diferente. Dizia-se que um enorme dragão engolia o Sol. Para o obrigar a devolvê-lo, batiam em tambores e gongos até o barulho ecoar por toda a parte.
No Egito, o inimigo do Sol chamava-se Apófis, uma gigantesca serpente do caos. Segundo a lenda, todas as noites tentava destruir a barca do deus-Sol Rá durante a sua viagem pelo mundo subterrâneo. Um eclipse era visto como um sinal de que Apófis estava prestes a vencer essa batalha.
Agosto guarda ainda outra surpresa. Na noite de 12 para 13 de agosto, atinge o máximo a chuva de meteoros das Perseidas, também conhecida como as Lágrimas de São Lourenço.
As chamadas “estrelas cadentes” não são estrelas. São pequenos grãos de poeira e fragmentos de rocha deixados pelo cometa Swift-Tuttle. Todos os anos, nesta altura, a Terra atravessa essa nuvem de detritos.
Quando esses fragmentos entram na atmosfera da Terra a mais de 200 000 km/h, comprimem e aquecem intensamente o ar à sua volta. É esse aquecimento que os torna incandescentes e cria os rápidos riscos de luz que vemos atravessar o céu.
Os antigos gregos acreditavam que aquelas luzes eram mensagens enviadas pelos deuses. Séculos mais tarde, a tradição cristã passou a associá-las às lágrimas de São Lourenço.
Se quiseres observar o eclipse, há uma regra que nunca deves esquecer: nunca olhes diretamente para o Sol sem óculos especiais certificados para eclipses. Os óculos de sol normais não protegem os olhos e podem provocar lesões permanentes na visão.
Quando chegar a noite, afasta-te das luzes da cidade, deixa os olhos habituarem-se à escuridão e olha para o céu. Com um pouco de sorte, vais ver várias Perseidas a riscar a noite.
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