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O dia em que o céu vai apagar as luzes

O dia em que o céu vai apagar as luzes

Ao fim da tarde do dia 12 de agosto, se estiveres na rua, vais notar a luz a mudar de uma forma estranha — mais fraca, mais fria. O Sol continua no céu, mas alguma coisa está diferente. Essa alguma coisa é a Lua, que se vai colocar mesmo à frente do Sol.

Portugal está numa posição privilegiada para ver o eclipse. Em quase todo o país, o Sol vai ficar coberto em mais de 90%, o que já por si é impressionante. Há uma exceção: numa faixa muito estreita do Parque Natural de Montesinho, no nordeste, a Lua vai tapar o Sol por completo durante cerca de 20 segundos. Só que essa zona vai ter o acesso condicionado pelas autoridades nesse dia. Quem quiser mesmo ver a totalidade terá, por isso, de procurar outro ponto de observação na região — o Aeródromo de Bragança, por exemplo.

Os horários mudam conforme a cidade, mas seguem mais ou menos o mesmo padrão em todo o país: o eclipse começa por volta das 18h35, atinge o máximo perto das 19h30 e termina quase às 20h25. No Porto, o máximo é às 19h32, com 98% do disco solar tapado; em Coimbra, às 19h33; em Lisboa, às 19h34; e em Faro, um pouco mais tarde, às 19h35.

Um eclipse total e um eclipse parcial parecem coisas semelhantes, mas não são. Num parcial, mesmo quando quase tudo está escondido, sobra sempre uma réstia de Sol a brilhar. Só quando essa réstia desaparece de vez — o que só acontece na totalidade — é que o céu escurece a sério e se torna visível a coroa solar, a camada exterior do Sol que normalmente fica ofuscada pelo brilho do disco.

A explicação para a Lua conseguir tapar algo tão maior do que ela está na distância. O Sol tem cerca de 400 vezes o diâmetro da Lua, mas também está cerca de 400 vezes mais longe da Terra. As duas proporções quase se compensam e, por isso, vistos daqui, os dois parecem ter praticamente o mesmo tamanho no céu.

Vale a pena reparar nos detalhes enquanto isto acontece. A temperatura pode descer um pouco. Alguns pássaros podem recolher-se, como se fosse noite. E, se estiveres debaixo de uma árvore, olha para o chão: as manchas de luz que normalmente passam entre as folhas ganham a forma de pequenos crescentes. As próprias folhas funcionam, sem querer, como pequenas câmaras escuras.

Agora a parte séria: nunca olhes para o Sol sem proteção adequada, mesmo que esteja 99% tapado. A luz que continua visível pode provocar lesões graves na retina e o pior é que não vais sentir dor. A retina não tem recetores de dor capazes de te avisar de que está a ser danificada.

Óculos de sol normais não servem. Radiografias, discos ou outros filtros caseiros também não. O que deves usar são óculos de eclipse próprios e certificados, que cumpram a norma ISO 12312-2. E o mesmo cuidado se aplica a telemóveis, máquinas fotográficas, binóculos ou telescópios: nunca os apontes ao Sol sem um filtro solar próprio, colocado à frente da lente ou objetiva.

Se não tiveres óculos certificados, ainda podes observar o eclipse de forma segura. Faz um pequeno furo num cartão e deixa a luz passar por ele até uma superfície lisa. A imagem do Sol — com a Lua a avançar à sua frente — aparece projetada nessa superfície, sem precisares de olhar diretamente para o Sol.

E há mais um motivo para continuar a olhar para o céu depois do eclipse. Na noite de 12 para 13 de agosto acontece o pico da chuva de meteoros das Perseidas. Como o eclipse ocorre durante a Lua Nova, não haverá luar forte a atrapalhar a observação das estrelas cadentes.

Se quiseres ver o eclipse, não precisas de planear uma expedição. Escolhe um sítio com uma vista livre para o céu, arranja uns óculos de eclipse certificados e prepara-te para estar atento.

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