A carregar agora

Destino: Espaço!

Destino: Espaço!

Abril de 2026 ficará para sempre nos livros de história: quatro astronautas deram a volta à Lua e regressaram em segurança à Terra. Sabes o que vem a seguir? Algo ainda mais difícil — e desta vez nem saem da vizinhança da Terra.

Foi a primeira vez em 54 anos que seres humanos se aventuraram tão longe no espaço profundo — desde a lendária Apollo 17, em 1972. Mas a NASA não é de ficar quieta, e mal a poeira do lançamento assentou, chegou o próximo anúncio: já conhecemos a tripulação da Artemis III! Randy Bresnik, Luca Parmitano, Frank Rubio e Andre Douglas são os quatro astronautas escolhidos para a missão seguinte. E garante-te: não é nada do que estás à espera.

Para não fazeres confusão entre missões, pensa nisto como os níveis de um videojogo — cada um mais difícil e mais ousado do que o anterior. A Artemis II foi o nível um: um sobrevoo lunar para provar que a cápsula Orion aguentava o espaço profundo com humanos a bordo. Prova feita, caixa assinalada, missão cumprida. Agora vem o nível dois — e é aqui que a coisa fica mesmo interessante.

A Artemis III não vai à Lua. Fica em órbita baixa da Terra, a 430 km de altitude, a mesma região onde flutua a Estação Espacial Internacional. “Mas então qual é a piada?”, perguntas tu. A piada — ou melhor, o desafio de engenharia mais ambicioso do programa — é o seguinte: imagina dois veículos do tamanho de edifícios a dispararem pelo espaço a mais de 27 000 km/h e a terem de se aproximar até encaixar um no outro com uma velocidade relativa de apenas alguns centímetros por segundo. Um milímetro a mais, uma fração de segundo de atraso — e a missão falha. É isso que Randy, Luca, Frank e Andre vão tentar fazer, não uma, mas possivelmente duas vezes.

O plano é digno de um filme de ficção científica, exceto que é completamente real. Primeiro, a Blue Origin lança o seu módulo de aterragem lunar, o Blue Moon, que sobe sozinho para órbita e fica à espera, durante semanas, como uma âncora no vazio. Depois, a NASA dispara os astronautas a bordo da Orion, em cima do colossal foguetão SLS — um dos mais poderosos que a humanidade já construiu. No espaço, as duas naves aproximam-se, encaixam, e os astronautas atravessam de uma para a outra para testar os sistemas de suporte de vida, os computadores e os novos fatos espaciais. Se o calendário permitir, há ainda um segundo encontro com o Starship da SpaceX.

Parece arriscado?

Claro que é! Mas a NASA já fez isto antes. Em 1969, antes de pousar na Lua com a Apollo 11, testou todos os sistemas de acoplagem em órbita terrestre, na missão Apollo 9. A lógica é inabalável: se algo correr mal a 430 km de altitude, tens hipótese de resolver o problema ou resgatar a tripulação. A 380 000 km de distância, não tens essa sorte.

Se a Artemis III correr bem, o caminho fica aberto para a Artemis IV — prevista para 2028 — ser a primeira missão tripulada a pousar no Polo Sul da Lua. Lá, os cientistas acreditam que existe gelo de água escondido em crateras permanentemente à sombra, que poderá um dia ser transformado em combustível de foguetões e em água potável para uma base lunar permanente.

Ah!… Ainda há um detalhe histórico que não podes deixar passar: Luca Parmitano, piloto italiano da Agência Espacial Europeia, é o primeiro astronauta europeu a ser colocado numa missão Artemis — uma conquista de que toda a Europa pode ter orgulho.

E tu? Achas que este ensaio geral em órbita terrestre é a decisão mais inteligente que os engenheiros podiam tomar — ou estavas mortinho por vê-los saltar já na Lua?

Share this content: