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A ciência por trás das tempestades e das inundações

A ciência por trás das tempestades e das inundações

Nos últimos tempos, parece que abrir o guarda-chuva já não é suficiente. Temos visto imagens impressionantes de ruas transformadas em rios e cidades portuguesas a lutar contra a força das águas. Mas, para quem gosta de ciência, de tecnologia, de engenharia e de matemática, estas tempestades não são apenas “mau tempo”… são, isso sim, o resultado de uma máquina térmica gigante chamada Terra a trabalhar sob pressão.

Tudo começa com o ciclo da água, um processo contínuo onde o Sol funciona como o motor principal. O calor solar faz com que a água dos nossos oceanos e rios se transforme em vapor (evaporação). Esse vapor sobe para a atmosfera, onde o ar é mais frio, e passa por um processo de condensação, formando as nuvens que vemos no céu. Quando essas nuvens ficam saturadas e as gotículas de água se unem, tornando-se pesadas demais para flutuar, a gravidade faz o seu trabalho e a água regressa à superfície na forma de precipitação.

O problema é que este ciclo está a tornar-se “agressivo“… Com o aquecimento global, a atmosfera está mais quente e parece que o céu anda agora com uma “esponja” muito maior e mais carregada. Quando essa humidade encontra frentes frias ou instabilidade atmosférica, a descarga de energia é colossal, resultando em tempestades muito mais violentas e concentradas do que as que os nossos avós conheciam. Para piorar, em Portugal, a nossa posição geográfica junto ao Atlântico torna-nos a “porta de entrada” para muitas destas massas de ar carregadas de humidade, que despejam quantidades absurdas de água em poucas horas.

No entanto, a ciência diz-nos que para entender as inundações, a chuva é apenas metade da história; a outra metade está no chão, e é aqui que a engenharia e o ambiente entram em jogo… Numa floresta ou num campo natural, o solo funciona como um filtro e uma esponja, absorvendo a água lentamente. Mas, nas nossas cidades, cobrimos quase tudo com asfalto e betão, materiais impermeáveis que não deixam a água passar.

Quando a tempestade cai sobre estas superfícies, a água não tem para onde ir senão escorrer rapidamente pelas ruas, sobrecarregando os sistemas de drenagem que muitas vezes não foram calculados (usando matemática e modelos hidráulicos) para volumes tão extremos.

Além disso, se as zonas ribeirinhas estiverem ocupadas por construções ou se houver muita desflorestação nas encostas, o solo perde a sua capacidade de retenção, provocando as inundações rápidas e destrutivas que vemos nos telejornais.

Entender este equilíbrio entre a energia da atmosfera e a forma como desenhamos o nosso mundo é o grande desafio da nossa geração!

Como cidadãos do futuro, o nosso papel será modificar as nossas cidades para que estas funcionem como uma “esponja“, além, claro, de usar a tecnologia para prever estes eventos com maior precisão e, acima de tudo, trabalhar na sustentabilidade para que o ciclo da água volte a ser um ritmo natural e não uma ameaça constante.

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