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Spoiler: apesar das guerras, o dia, a noite e as estações do ano continuam a acontecer na mesma.

Spoiler: apesar das guerras, o dia, a noite e as estações do ano continuam a acontecer na mesma.

Já paraste para pensar que, neste exato momento, estás a bordo de uma nave gigante que gira a mais de 1.600 km/h?

Essa nave é o nosso planeta Terra e esse giro sobre si mesma chama-se rotação. Imagina que o Sol é um holofote gigante e fixo no meio de um palco escuro. Como o Sol só consegue iluminar um lado do planeta de cada vez, enquanto o teu lado está virado para a luz, tens o dia. À medida que a Terra gira, vais passando da zona iluminada para a zona de sombra, e é aí que a noite aparece.

Este ciclo de luz e sombra demora cerca de 24 horas. Já imaginaste o que aconteceria se a Terra parasse de girar? Metade do mundo ficava a fritar num dia eterno e a outra metade congelava numa noite sem fim. Nada agradável, pois não?

Mas a Terra não se limita a girar no mesmo sítio; também é uma corredora de fundo. Ela faz uma viagem gigante à volta do Sol chamada translação, que demora 365 dias e 6 horas a completar… ou seja, um ano! Mas aqui está o verdadeiro mistério: se a Terra desse esta volta toda “direitinha”, todos os dias do ano teriam a mesma duração. Então, por que é que no verão podes estar na rua até às dez da noite e no inverno já está escuro na hora do lanche?

O segredo está na “pose” da Terra. Ela não viaja verticalmente; ela viaja inclinada, como se estivesse a descansar a cabeça no ombro enquanto corre. Sabias que é este “desequilíbrio” que está na origem das quatro estações, cada uma com cerca de 3 meses?

As estações do ano formam-se porque a Terra não está “direitinha” enquanto viaja à volta do Sol: ela está inclinada cerca de 23,5 graus, como se estivesse sempre a andar de lado no espaço. E é esta inclinação que muda tudo. Ao longo do ano, diferentes partes da Terra recebem a luz do Sol de forma mais direta ou mais inclinada.

Quando o teu hemisfério está virado mais diretamente para o Sol, os raios chegam mais concentrados, os dias ficam maiores e mais quentes — é o Verão. Passas muito mais tempo debaixo do “holofote” enquanto a Terra gira. O ponto máximo desta festa é o Solstício de Verão, por volta de 21 de junho: o dia mais longo do ano no hemisfério Norte!

Meses depois, a Terra chega ao lado oposto da pista. Como ela mantém a inclinação, o teu lado fica agora virado para longe do Sol. Percebes a diferença? A luz bate de raspão, o Sol faz um caminho curtinho no céu e foge depressa. Chegas ao Solstício de Inverno, por volta de 21 de dezembro: o dia mais curto e a noite mais longa. É por isto que o Natal em Portugal rima com frio e chocolate quente!

E quando há um empate técnico entre a luz e a sombra? Chamamos-lhe Equinócios (que significa “noites iguais”). Nestas alturas, o Sol ilumina os dois hemisférios por igual. Em março, o equinócio traz a Primavera; em setembro, traz o Outono.

Mas há um pequeno truque escondido nos equinócios: apesar de “noites iguais” ser o significado do nome, na verdade, o dia fica um bocadinho maior do que a noite. A culpa é da atmosfera da Terra, que curva a luz do Sol e nos deixa vê-lo mesmo quando ele ainda está abaixo do horizonte. Ou seja, o Sol “nasce” mais cedo e “põe-se” mais tarde do que deveria! Além disso, como o Sol não é um ponto, mas um disco, contamos o nascer e o pôr do Sol quando a sua borda toca o horizonte, o que também acrescenta minutos extra de luz. Por isso, mesmo no equinócio, o dia ganha sempre uma pequena vantagem.

É uma playlist que nunca falha: Primavera, Verão, Outono e Inverno.

Ah! E lembras-te daquelas seis horas que sobram todos os anos? Se as ignorássemos, o calendário ficaria maluco e as estações iam começar a saltar de mês. Por isso, de quatro em quatro anos, juntamos essas horas e fazemos um ajuste no calendário, criando mais um dia: o 29 de fevereiro. É o nosso ajuste de contas com o Universo!

No fundo, viver na Terra é participar numa viagem radical de luz, sombra e inclinações. Já tinhas pensado que o teu aniversário é, na verdade, a celebração de mais uma volta completa que deste ao redor do Sol? Qual das quatro “paragens” desta viagem é a tua favorita?

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